Você está contente com a sua falha?

Você está contente com a sua falha?

20 de julho de 2020 Introspecção e Motivação 0

Por João Paulo Machado

Olá meus caros amigos, hoje eu trouxe uma história intrigante, mas fatídica, de um certo homem que viajava com seu filho e o seu asno, onde o pai montado sobre o asno, seguia o filho a frente, que ia puxando e conduzindo o asno.

            – Pobre jovem – alguém disse ao passar por eles na estrada! – Suas pernas mal dão conta de acompanhar o ritmo do animal. Como se pode viajar tão à vontade vendo que o pequeno se cansa puxando assim eles?

Ao escutar isso, o Pai ficou com o seu coração apertado, e resolveu trocar de lugar com o seu filho, e assim ele foi a frente puxando o asno com o seu filho montado nele. Mas não passou muito tempo e ele tornou a escutar burburinhos pela estrada:

            – Que vergonha! O malandrinho viaja como um sultão enquanto seu Pai cansado já pela idade tem que ir a pé puxando o asno! Que vergonha!

Isso deixou o jovem rapaz triste, então ele pediu para que o seu Pai fosse com ele!

            – Olhem isso! Mas que absurdo! Tamanha crueldade, dois vadios descansam sobre o asno como se fosse um divã enquanto o pobre animal vai se acabando!

Arrependidos, desmontaram do asno sem dizer uma palavra, e logo ao começar a andar atrás do asno quando um homem rindo deles perguntou:

            – Vocês estão levando o asno para passear?

O Pai, enquanto dada um punhado de palha ao burro, dirigindo-se ao seu filho disse:

            – Não importa o que seja feito por nós filho, nunca estaremos a salvo das críticas dos demais.

“Minha grande preocupação não é se você falhou, mas se está contente com a sua falha.” – Abraham Lincoln

Bom, o que podemos aprender com esta história e a ligação que existe dela com a frase de Abraham Lincoln, primeiramente devo dizer que existe muitas coisas entre os dois, e completo ainda que Maquiavel, pode explicar muito mais do que eu! Isso mesmo, em seu livro O Príncipe, Maquiavel nos ensina uma coisa simples e muito importante, para que possamos entender a ligação na pergunta que fiz acima, veja:

“Deixando de parte, assim, os assuntos relativos a um príncipe imaginário e falando daqueles que são verdadeiros, digo que todos os homens, especialmente os príncipes por situados em posição mais preeminente, quando analisados, se fazem notar por alguns daqueles atributos que lhes acarretam ou reprovação ou louvor.” – Maquiavel, Capítulo XV/ Daquelas coisas pelas quais os homens, e especialmente os Príncipes, são louvados ou insultados.

Bom, a verdade é que não precisamos ler Maquiavel para entender que sempre haverá críticas, e por favor, pare de dizer que existe crítica construtiva, aceite! A crítica ensina muito mais do que uma simples percepção de construção, mas aceitar que ela é construtiva é permanecer em seu erro e ser manobrado por pessoas que não sabem o que dizem, se alegrar com as críticas diz muito mais sobre seus avanços do que uma percepção de erro, nem sempre será um fracasso ou algo errado.

Veja, muitas pessoas querem apenas que você seja uma pessoa normal, que acorde, escove os dentes, saia para trabalhar ou estudar e volte para a sua casa no fim do dia, isso é aceitar a crítica e estabelecer o seu fracasso, mas se você entender que, seu fracasso, é algo motivador e observar que não importa o que faça sempre haverá alguém para atrapalhar a sua jornada, e mesmo assim continuar, aí você está sendo o terceiro digito em um mundo binário.

Todos os dias milhares de pessoas não entendem isso, que fracassos e críticas são pontos positivos, e não negativos, quer dizer que você precisa se aperfeiçoar mais, trabalhar mais, e buscar com mais dedicação os seus objetivos, traçar uma meta é algo que diz muito sobre você, é uma forma de dizer que você consegue atingir qualquer objetivo, porque sabe das suas limitações e do que é capaz, mas quando aceita a crítica como construtiva, e fica triste com o seu fracasso, você não só está deixando seus objetivos, mas sim, tornando mais difícil sua caminhada.

Étienne de La Boétie em seu Discurso da Servidão Voluntária deixa bem claro isso, onde deixar os seus objetivos e atender as críticas e aceitar o seu fracasso como algo desmotivador, em seu capítulo “Não só perdeu a liberdade, mas ganhou a servidão” ele diz:

“É incrível ver como o povo, quando é submetido, cai de repente num esquecimento tão profundo de sua liberdade, que não consegue despertar para reconquistá-la. Serve tão bem e de tão bom grado que se diria, ao vê-lo, que não só perdeu a liberdade, mas ganhou a servidão.” –  Étienne de La Boétie em Discurso da Servidão Voluntária.

Bom meus caros amigos, torno a fazer novamente a pergunta que fiz no tema deste texto, você é feliz com sua falha? Acho que está na hora de observar melhor as coisas, e entender que o fracasso não é uma espécie de queda ou ruina, mas sim apenas a permanência no chão! Você ainda não saiu do chão, e isso tem muito a ver com o medo que existe em você de tentar e não conseguir, por aceitar as críticas ditas “construtivas” antes de começar, são tantas pessoas que querem indicar, ensinar, mostrar, dizer, recomendar aquilo que elas nunca fizeram, e jamais vão fazer, por serem apenas pertencentes ao grupo dos binários, que ao ver um digito diferente, tentam moldar ele ao seu estado binário, para dizer que isso é o normal.

Voe, seja o digito 3 neste mundo de pessoas binárias, arisque-se e não tenha medo do fracasso, olhe para ele e entenda que ele pode ser o seu trampolim para a felicidade! E eu, vou ficando por aqui, lembrando que ter os pés no chão, mas com objetivos traçados, não existe crítica se quer que faça você desistir dos seus sonhos! Uma boa semana, e até a próxima leitura!

Fonte

Bernstein, Salomão – Montoya, Jesús – Era uma vez, Os contos como terapia / Salomão Bernstein e Jesús Montoya – Tradução de Maria Lúcia Martins – Rio de Janeiro: Instituto Girasol do Brasil, 2006 – Íbis Libris.

Paiva, Suely – 500 anos de o príncipe de Maquiavel / Suely Paiva – São Paulo : S. Paiva, Editora Pé da Letra.

La Boétie, Étienne de, 1530-1563. Discurso da servidão voluntária; texto integral / Étienne de La Boétie; tradução Casemiro Linarth. – São Paulo: Martin Claret, 2009.  (Coleção a obra-prima de cada autor; 304)

Hunter, James C. – De volta ao mosteiro: o monge e o executivo falam de liderança e trabalho em equipe / James C. Hunter; tradução de Vera Ribeiro. – Rio de Janeiro: Sextante, 2014

Imagens: Pexels.com

 

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